23 de agosto de 2012

Série: Desintoxicação Sexual #5


Em minha infância, ouvia muitos boatos sobre os efeitos físicos da masturbação. Ouvi falar de casos em que pessoas perderam todo o cabelo, ou que crescia cabelo em suas mãos, outras que ficaram cegas e outras, ainda pior, que ficaram loucas por causa da prática da masturbação. Contudo, como disse James Dobson, “Se a masturbação realmente causasse [esses efeitos], toda a população masculina e metade da população feminina seria cega, fraca, estúpida e doente. Entre 95 e 98 por cento dos garotos a praticam – e pode ser que o resto esteja mentindo.” Meus pais certamente nunca me disseram essas mentiras, tampouco meus professores ou líderes de juventude na igreja. Essas histórias, no entanto, eram passadas de menino para menino no parquinho, normalmente muito antes de qualquer um de nós ter pensado seriamente sobre a sexualidade. Nem sabíamos o que isso era e nem quais eram suas terríveis consequências.
Embora esses rumores não tenham fundamento, eles continuam a ser passados de garoto para garoto, simplesmente porque masturbação é um tema que gera culpa e vergonha. Esses boatos incentivam o medo de que a pessoa seja descoberta, de que a sua vergonha seja exposta. Não há nenhuma razão física para negar a si mesmo esse prazer sexual. Como Joshua Harris escreve no livro Sexo não é problema (lascívia, sim), “a masturbação não é um hábito imundo que deixa as pessoas sujas. Ele só revela a sujeira que já está em nossos corações.” O ato físico da masturbação simplesmente aponta para um profundo problema dentro de nós. Embora este ato não seja sujo e não torne uma pessoa suja, pode, no entanto, ser ainda um grande prejuízo mental e espiritual, enquanto garotos lutam com sentimentos de culpa, remorso e vergonha por causa de seus hábitos. Para algumas pessoas, esta pode ser uma razão convincente para evitar sua prática, mas para muitos não é. Para muitos de nós, a culpa não é motivação suficiente para limitar nossos comportamentos pecaminosos.

Pureza de mente

A razão mais comumente dada por que as pessoas não devem se masturbar é que polui a mente. A satisfação sexual não é apenas um ato físico, mas um ato que envolve a mente. O ato em si traz muito menos culpa do que a imaginação que o acompanha – as imagens da mente – que são uma parte inevitável da experiência. Essas fantasias correm desenfreadas durante atos de masturbação. Este tipo de fantasia pode ser perigoso pelo menos de duas maneiras. Em primeiro lugar, como muitos adultos têm duramente aprendido, a realidade raramente é tão maravilhosa como a fantasia. Muitas pessoas criam expectativas sobre o sexo em suas mentes que, na realidade, não podem cumprir. Ouso dizer que nunca um adolescente criou uma fantasia em que sua parceira delicadamente e carinhosamente rejeita seus avanços porque ela está muito cansada. Tampouco ele inventou uma fantasia na qual ela declina a participação em um determinado ato porque acha desconfortável ou de mau gosto. O fato é que a fantasia pode criar expectativas irrealistas e não saudáveis do sexo.
Em segundo lugar, a fantasia raramente envolve parceiros sexuais legítimos, assim como as cenas de sexo dos filmes raramente envolvem casais casados, que podem, diante de Deus, ter relações sexuais legítimas. Um rapaz adolescente não tem nenhuma razão legítima para realizar fantasias sexuais, porque ele não tem um parceiro dado por Deus com quem ele possa consumar tal desejo. Embora seja perfeitamente legítimo um marido sonhar com um encontro sexual com sua esposa, a masturbação pode incentivá-lo a encher sua mente com pensamentos sobre outras mulheres, ou mesmo a procurar material pornográfico como combustível para sua mente.
A fantasia é perigosa quando não é devidamente controlada. Masturbação é pecado porque viola o ensino do Senhor sobre a pureza moral. “Mas eu digo a você que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção sensual, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5:28). Fantasia também pode ser perigosa quando se cria expectativa irreal.
Alguns irão protestar dizendo que quando eles se masturbam estão apenas realizando um ato físico para aliviar o stress ou o tédio. Eles irão insistir que não sucumbem a pensamentos inadequados. Em seu livro, Quando bons homens são tentados, o autor Bill Perkins escreve: “Parece-me que a masturbação é amoral. Em algumas circunstâncias é comportamento aceitável. Em outras ocasiões, é claramente errado” (página 122). Ele passa a oferecer três testes que irão avaliar se um determinado caso é certo ou errado: o teste de pensamento (se o ato é acompanhado de fantasias inadequadas), o teste de auto-controle (se o ato torna-se obsessivo) e o teste de amor (se isso leva uma pessoa a deixar de atender às necessidades do seu cônjuge).
James Dobson ensina uma visão semelhante da masturbação. Quando eu era mais novo, meus pais me deram seu livro Preparando-se para a adolescência e eu me lembro bem deste ensinamento. Ele acredita que todos os meninos (e a maioria das meninas) experimentam a masturbação e que a culpa trazida pelo ato destrói muitas crianças. Assim, ele acredita que os pais devem raramente falar com seus filhos sobre isso, e se o fazem, devem fazê-lo para tranquilizar os seus filhos de que tais práticas são normais. Aqui está o que ele diz em seu site:
“A minha opinião é que a masturbação não é muito um problema com Deus. É uma parte normal da adolescência que não envolve mais ninguém. Não causa doença. Não produz bebês, e Jesus não menciona isso na Bíblia. Eu não estou dizendo para você se masturbar, e eu espero que você não sinta necessidade disso. Mas se você fizer, minha opinião é que você não deve lutar com a culpa desse ato. Por que eu digo isso? Porque eu lido com muitos cristãos jovens que estão dilacerados com a culpa da masturbação, querem parar e simplesmente não conseguem. Gostaria de ajudar você a evitar essa agonia.”
Esta resposta é muito humanista. A maneira correta de evitar a agonia da culpa não é ignorar o pecado, mas focar sobre o evangelho. Dobson considera que este é um problema com o qual os jovens não devem agonizar. Mas fale honesta e abertamente com jovens e eles vão te dizer que eles realmente querem falar sobre isso e que querem ter certeza de que masturbação é pecado e que eles podem e devem superá-lo. A culpa que sentem não é irracional, é boa, do tipo que vem por causa do pecado e destina-se a ajudar a corrigi-lo.
Assim como Perkins, Dobson não se envolve em uma análise bíblica deste tema em particular. Ele conclui que a masturbação é amoral porque não há nenhuma passagem bíblica específica que permite ou condena a prática. Encontrei estas palavras em um site: “Se a masturbação é um pecado, então é um tanto estranho que a Escritura tenha deixado o crente especulando sobre seu estado moral.”
No entanto, como veremos, a Bíblia não é silenciosa e não nos deixa especulando. O fato de que a Escritura não menciona explicitamente a masturbação simplesmente aponta para o fato de que ela fala tanto e tão profundamente sobre a sexualidade que não há necessidade de falar sobre masturbação (assim como a Escritura fala tão bem sobre o assassinato e o valor da vida humana que não precisa falar explicitamente sobre o aborto). O ensinamento da Bíblia sobre sexualidade prova que a masturbação é pecado tanto se for um ato acompanhado de fantasia pecaminosa quanto se for um ato puramente físico.

O propósito de Deus para a sexualidade

Nós já aprendemos que o propósito último do sexo é prover intimidade entre marido e mulher. Não há maior expressão de vulnerável intimidade entre seres humanos. Um exame atento do ensino da Escritura sobre a sexualidade vai revelar que não temos nenhuma razão para acreditar que Deus tenha destinado o sexo para ser uma atividade privada. O coração e a alma da sexualidade é dar e receber prazer sexual. O sexo é destinado a ser um meio de satisfação mútua, em que o marido pensa primeiro em sua esposa, e a esposa, primeiro em seu marido. Ao satisfazerem as necessidades do outro, eles têm as suas próprias necessidades satisfeitas. É um belo quadro de intimidade! Como qualquer casal pode testemunhar, quanto mais altruísta o sexo, melhor ele se torna. Quanto mais cada um dos cônjuges pretende agradar ao outro, mais satisfatório e gratificante o ato se torna. Isso é bonito. Como poderíamos esperar, o contrário também é verdadeiro. Sexo que é completamente egoísta é humilhante e insatisfatório (o estupro, um ato de egoísmo sexual absoluto, pode ser a expressão máxima do sexo egoísta).

O sexo é tão importante para um casamento que a Bíblia nos proíbe negligenciá-lo. “Não se privem um ao outro, salvo talvez por um acordo mútuo, por tempo limitado, para dedicarem-se à oração; mas depois se unam novamente, para que Satanás não os tente por causa da falta de auto-controle” (1 Coríntios 7:5). Esta privação pode referir-se não só ao tempo, mas também à atividade. Um homem não deve privar sua esposa durante um período de tempo, nem deve privá-la ao praticar atividade sexual privada. Assim como os casais casados podem atestar a importância do sexo, tenho certeza que a maioria também pode perceber alguns momentos em que negligenciaram essa atividade e podem atestar as dificuldades causadas em seu casamento. Deus quer que marido e esposa façam sexo um com o outro e regularmente.
O mútuo dar e receber está no coração do propósito de Deus para a sexualidade e é exatamente o que a masturbação não fornece e não pode fornecer. A masturbação arranca a sexualidade do seu propósito divino de satisfação mútua. Ela pega um ato que Deus criou para construir o relacionamento e faz-lhe um ato de isolamento egoísta. A masturbação e a fantasia tentam criar uma falsa intimidade ao invés da verdadeira intimidade entre marido e esposa que Deus criou dentro do relacionamento conjugal.
Continuando em 1 Coríntios, lemos: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” (1 Coríntios 7:3-4). O corpo de um homem não pertence a si mesmo, mas a sua esposa ou a sua futura esposa e, finalmente, a Deus. O corpo de uma mulher pertence ao marido (e a Deus). Da mesma forma, o corpo da mulher solteira pertence ao seu futuro esposo e deve ser mantido puro para ele. Nenhum dos dois tem o direito de expressar a sexualidade para além do outro. Quando a Bíblia diz que um homem deve expressar sua sexualidade exclusivamente com sua esposa, por que muitos interpretam que ele é livre para expressar sua sexualidade sem ela?

Quão mal?

Até agora eu acho que deve ter ficado claro que a masturbação é um pecado do qual deve-se arrepender e contra o qual os cristãos precisam lutar. Infelizmente, porém, para muitos jovens cristãos, isso torna-se uma questão que começa a definir o seu estado espiritual. Algumas pessoas sentem tamanha culpa pela prática de tal ato que começam a questionar a sua salvação e começam a ver-se apenas através da lente deste pecado. Não há dúvida de que este é um pecado grave, mas não deve ser dada tanta proeminência que as pessoas não consigam ver nada além disto. Joshua Harris escreve sabiamente, “Quando nós inflamos a importância deste ato, ou nós vamos ignorar as muitas evidências da obra de Deus em nós ou vamos ignorar outras expressões mais graves da lascívia que Deus quer que tratemos”.

Pornografia

Quero adicionar uma palavra breve aqui sobre a pornografia. Eu não preciso nem dizer a conexão que há entre a pornografia e a masturbação. Apesar dessa conexão, muitas discussões sobre pornografia não discutem também a masturbação. Mesmo assim, o grande objetivo de se ver  pornografia é que ela sirva de combustível para a fantasia sexual e então culmine na masturbação ou noutra forma egoísta de expressão sexual. As pessoas não costumam ver pornografia e, em seguida ir lavar a louça! Pouquíssimos cristãos argumentariam que a pornografia é aceitável e, mesmo assim, inúmeros são atraídos e ludibriados por ela. Tal como a masturbação, a pornografia é inerentemente egocêntrica. Ele cria uma falsa intimidade entre um pessoa anônima numa revista (ou em uma tela) e o espectador. Provê escapismo e liberação, mas não exige qualquer esforço ou auto-negação. Cria uma perversão egoísta e egocêntrica do verdadeiro ato sagrado. Combinar masturbação e pornografia é compor pecado com mais pecado.

Uma busca não egoísta

Você percebe, então, como a masturbação nega a finalidade para a qual Deus criou o sexo? O sexo não foi feito para ser uma busca egoísta. Não se pretendia focar os pensamentos de uma pessoa sobre si mesma e sobre suas próprias necessidades. Pelo contrário, o sexo foi concebido como um meio de cumprir o mandamento do Senhor para estimar o outro como superior a si mesmo. O prazer do sexo não se destina a ser apreciado de forma isolada, mas a ser apreciado proporcionando esse mesmo prazer ao outro. Masturbação não pode cumprir o desígnio de Deus para a sexualidade e, portanto, não tem lugar na vida de alguém que se chama de cristão.

O Evangelho

Para aqueles que lutam contra este pecado, tenham bom ânimo, pois há esperança. Não encontre conforto naquele frio consolo que diz “todo mundo faz isso.” Tome conforto, em vez disso, na boa notícia do evangelho. O sangue de Jesus foi derramado por pecados como este e o poder do Espírito Santo foi dado a nós para que possamos superá-lo. Este não é um pecado que está além do poder de Deus. Você pode ser libertado.
Traduzido por Gustavo Vilela | iPródigo
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Notas:  Esta série foi originalmente publicada por Tim Challies em seis partes, aqui. Você também pode baixar o ebook completo com todos os artigos da série aqui.

20 de agosto de 2012

Série: Desintoxicação Sexual #4


Uma teologia do sexo

O que Deus criou primeiro: a fome ou a comida? Deus fez o homem ter fome e depois inventou o alimento para saciar a necessidade? Ou será que Deus primeiro inventou os alimentos e, em seguida, deu ao homem um apetite que o motivasse a buscar esse bom presente de Deus? Enquanto nós geralmente criamos uma necessidade para depois conseguir satisfazê-la, Deus tem um fim antes mesmo do início. Ele cria bons presentes e, só depois, cria uma necessidade para eles. Ele não cria uma necessidade para a qual não haja preenchimento. O tema deste capítulo é, simplesmente, sexo, e quero oferecer uma breve teologia do sexo e do desejo sexual. Quero ajudá-lo a ver por que Deus criou o sexo, por que ele criou o desejo sexual, e por que ele distribuiu o desejo sexual em medida desigual.

Sexo

Deus nos dá o sexo porque ele tem um poder ímpar de conduzir um marido à sua esposa e uma mulher ao seu marido. Ele sabe disso porque ele é Quem inventou isso! Ele o fez de um modo que o sexo é muito mais do que a soma de suas partes. Poderíamos descrever o sexo apenas em termos de partes do corpo e hormônios, mas nunca chegaríamos nem perto de entender o que ele é. É como tentar descrever um bolo só em termos dos seus ingredientes – farinha, leite, ovos (ou, se fôssemos descrever a Ceia do Senhor, fazendo referência apenas a comer pão e beber vinho). Sexo vai muito além do aspecto meramente físico. Ao contrário, estende-se para o emocional e espiritual. É através da união sexual que duas pessoas são feitos uma só. É um mistério que só pode ser comparado, em termos de impacto, com a união de Deus ao seu povo, como somos enxertados nele.
Deus deu-nos algo extraordinariamente poderoso e foi sábio em colocar limites rigorosos sobre isso. Ele tem todo o direito de fazê-lo porque ele é quem criou o sexo e criou sua função. Sexo, então, é para ser compartilhado apenas entre um marido e sua esposa, e não pode ser estendido para outros, quer antes do casamento, quer durante o casamento (Mateus 5:27,28). O sexo não deve ser despertado até a hora certa (Cantares 8:4). Sexo é para ser praticado regularmente, durante um casamento (1 Coríntios 7:1-5). Tais limites não são destinados para inibir a liberdade, mas para aumentar a liberdade. Quando usamos este dom como Deus o quer, ganhamos grande alegria e liberdade nele. Quando utilizamos o dom de forma errada, acabamos sofrendo por tal abuso.
A finalidade do sexo, então, é fornecer um meio único através do qual o marido e sua esposa podem conhecer um ao outro, servir um ao outro, expressar vulnerabilidade, dar e receber. Nenhuma outra área no casamento oferece tanto a ganhar e tanto a perder. Nenhuma outra área no casamento põe o casal tão junto. E nenhuma mensagem poderia estar mais longe do que o que é visto na pornografia.
Muitos teólogos têm tentado chegar ao significado mais profundo do sexo. “Sexo é uma imagem, uma metáfora, para apontar-nos as alegrias do céu”, eles poderiam dizer. E talvez isso seja verdade. Mas eu não acho que a Bíblia nos diz isso claramente. Também não estou convencido de que precisamos encontrar algum significado mais profundo no sexo a fim de afirmar a sua bondade. Sexo é inerentemente bom, porque foi criado por um Deus bom. Não é necessário construir uma teologia complexa em torno do sexo como se ele só fosse bom em algum tipo de sentido secundário. Ele é perfeitamente bom em si mesmo. Mesmo que seu sentido último não seja mais profundo do que o prazer e a satisfação mútua, o sexo é bom porque Deus é bom. Ele poderia facilmente ter decretado que o sexo fosse uma parte integrante de cada casamento e, em seguida, fazê-lo intrinsecamente desagradável. Ele não o fez. Ao contrário, ele fez o sexo quase transcendente no seu prazer. Em seu melhor, o sexo realmente transcende a maior parte dos outros prazeres da vida. Em sua singularidade, em sua alegria, em sua liberdade e vulnerabilidade. E nestas coisas, o sexo põe marido e mulher juntos em uma maneira única e inigualável.
Quando você entende isso, você deve também compreende porque o sexo é para ser desfrutado apenas entre marido e mulher. Você compreende porque Deus proíbe o sexo pré-marital (fornicação), porque ele proíbe o sexo fora do casamento (adultério) e por que ele proíbe o sexo egoísta (masturbação). Todas estas coisas zombam da realidade. Todas estas coisas são abusar do bom presente de Deus.

Desejo

Juntamente com o sexo, Deus criou o desejo sexual. Quando jovem, eu, como tantos outros, lutava com a incapacidade de expressar meu desejo sexual crescente e até mesmo me lembro de clamar a Deus perguntando por que ele tinha me dado esse desejo. Muitas vezes o desejo sexual é um fardo pesado. A resposta às minhas perguntas veio só mais tarde.
Há alguns que dizem que o desejo sexual existe apenas para motivar a procriação, que a desejo de fazer sexo vai levar o marido a juntar-se à sua esposa com o feliz resultado de concepção. Aqui C. S. Lewis aplica um corretivo útil (em seu livro Cristianismo Puro e Simples). Ele afirma que a finalidade biológica do sexo é a procriação (e não podemos perder de vista este objetivo importante do sexo), mas ele traça um paralelo útil com o apetite que temos para o alimento. A finalidade biológica de comer é para reparar o corpo e, embora algumas pessoas sejam dadas à glutonaria, nós sabemos que o apetite vai um pouco além da finalidade biológica. Um homem conseguiria comer duas vezes mais comida do que seu corpo necessita para seus efeitos biológicos, mas poucos vão comer isso tudo.
Quando se trata de sexo, porém, o apetite excede em muito a sua finalidade biológica. Se o apetite sexual correspondesse à sua função biológica, a pessoa só teria desejo sexual algumas vezes na vida, ou então ela teria milhares de filhos. Será que isso não nos ensina que Deus deseja que façamos sexo por motivos além da procriação? A única outra alternativa é que esse apetite é um produto do pecado e deve ser suprimido. Mas não, isso não pode ser. A Bíblia é clara em legitimar o desejo sexual. O desejo dentro do casamento e o desejo pelo seu próprio cônjuge são legítimos diante de Deus.
Deus dá desejo sexual ao homem, um apetite sexual, porque quer que ele tenha relações sexuais com a sua esposa. Será que não pode ser simples assim? E mais, Ele dá um apetite forte que supera qualquer tipo de finalidade biológica, porque ele quer que o casal a faça muito sexo. Afinal, a única admoestação na Escritura quanto à freqüência do sexo no casamento é permitir apenas uma breve pausa, com um objetivo bem definido e, mesmo assim, apenas para o motivo específico de dedicar tempo à oração (ver outra vez 1 Coríntios 7), e ainda, mesmo assim, só se ambos estiverem de acordo. Na verdade, a Bíblia vai tão longe a ponto de dizer que o corpo da mulher pertence ao marido, que ele tem autoridade sobre o corpo dela. E que o corpo do marido pertence à sua esposa, ela tem autoridade sobre o corpo dele. O princípio dominante é que maridos e mulheres devem ter relações sexuais com freqüência e não recusar um ao outro este dom especial.
Sexo é uma parte integrante da relação de marido e mulher de tal forma que Deus deu o desejo de participar disso, de apreciar esse relacionamento. Este desejo sexual motiva o homem a buscar uma esposa e se casar com ela para assim, juntos, eles poderem desfrutar do sexo. Este desejo motiva o homem a continuar buscando sua esposa, mesmo depois de estarem casados. Sem este desejo, sem este apetite, seria muito mais fácil para nós evitarmos cumprimento do dever dado por Deus de ter relações sexuais (e muitas) e, por meio delas, a experiência da intimidade e da unidade (e muita). Então Deus dá o desejo que se destina a ser cumprido apenas dessa forma. Se nós não experimentarmos as dores da fome nós podemos não comer. Se nós parássemos de comer, nosso organismo iria parar e nós morreríamos. Se nós não sentíssemos desejo sexual poderíamos não ter relações sexuais. E se deixássemos de ter sexo, nosso casamento iria sofrer e morrer. Desejo sexual, então, é um dom de Deus dado não para atormentar, mas para motivar a obediência. Quando um jovem inevitavelmente sente o desejo sexual não é um convite à pornografia e masturbação, mas uma cutucada em direção ao casamento.

Desejo desigual

No entanto, o desejo sexual, o apetite para o sexo, não é dado em igual medida. Ele é geralmente dado em maior parte para os homens. Por quê? A resposta, eu estou convencido, vai direto ao coração do relacionamento marido-mulher. Deus ordena que os homens, maridos, sejam líderes. Os homens têm o papel de liderança, enquanto as mulheres têm o de seguir. Deus quer que os homens tomem a liderança, mesmo no sexo e, portanto, ele dá aos homens um maior desejo sexual. Desta forma, os homens podem guiar suas esposas, tomar a iniciativa, tendo o cuidado de amar suas esposas de tal forma que elas desejem ter relações sexuais com seus maridos.
De modo geral, o homem encontra intimidade e aceitação através de sexo, enquanto a mulher precisa experimentar intimidade e aceitação antes que ela possa estar preparada para desfrutar o sexo. E assim Deus dá ao homem um apetite sexual tal que ele possa, por sua vez, fornecer para sua esposa necessidades antes que ela proveja para ele. Seu apetite sexual não pode ser separado de sua liderança. Se a mulher estivesse na liderança a este respeito, se ela sempre fosse a instigadora sexual, seria muito menos provável que o marido buscaria sua esposa e procuraria atender suas necessidades exclusivas. Você vê o quanto isso é bonito? O marido tem um desejo que somente sua esposa pode satisfazer, um desejo por sua esposa; Portanto, ele assume a liderança na busca de satisfazer esse desejo. Ele faz isso ao encontro dos desejos de sua esposa que, por sua vez, leva ela a apreciar e, finalmente, satisfazer seus desejos. E então, nesse ato de consumação, Deus concede a graça que ultrapassa a mera união de carne e osso.
Enquanto o marido lidera, a esposa é chamada por Deus a submeter-se à liderança de seu marido, mesmo no leito conjugal. Como em outras áreas da vida, ela é chamada a desafiar tal liderança somente se as exigências do marido violarem a sua consciência ou a lei de Deus. Podemos ver isso como uma responsabilidade da mulher, mas também temos de ver isso como uma responsabilidade particular do marido. Ele deve liderar de tal maneira que sua esposa não tenha nenhuma razão para recusá-lo. Ele deve ser sensível às suas necessidades e desejos. Ele deve reconhecer os momentos em que, por uma razão ou outra, seria muito difícil para ela doar-se a ele. Ele não deve tentar conduzi-la a atos que iriam deixá-la desconfortável ou fazê-la sentir-se violentada. Ele precisa exemplificar a liderança como um servo mesmo ali no quarto. Seus pensamentos devem ser primeiro a favor dela. O marido pode ter, às vezes, tendência de ser ou um tirano no quarto, abusando de sua liderança por dominação ou abdicação. Ele nunca deve fazer isso.
Se Adão e Eva gozavam sexo antes de sua queda em pecado (eu tenho a impressão de que a Queda aconteceu pouco tempo depois da Criação, mas creio que houve algum tempo entre os dois eventos, portanto, eles devem ter gozado do sexo perfeito por um pouco.) não deve ter havido uma só ocasião em que Eva recusou Adão porque nunca houve uma época em que ele não esteve pensando primeiro nela. Que razão teria ela para recusar? Mas depois que pecou, quando Adão parou de pensar em primeiro lugar em Eva e quando ela começou a se rebelar contra sua liderança, foi aí que o sexo tornou-se uma luta. E continua a ser uma luta hoje. Eu sei que a maioria dos maridos e esposas irá concordar que eles tiveram mais lutas sobre o sexo do que sobre qualquer outra coisa. O meio de graça mais especial para um marido e sua esposa se tornou a maior causa de conflitos. E isto é exatamente o que Satanás pretende. Apesar de Satanás odiar qualquer tipo de prazer, ele ainda os usa para seus fins. Seu plano é que as pessoas tenham muito sexo fora do relacionamento conjugal e pouco dentro da relação do casamento quanto possível. Seu plano é mascarar, ocultar o verdadeiro propósito do sexo por trás do prazer e o mostrar como um simples ato físico. É um plano inteligente e que tem sido provado eficaz repetidas vezes.
Você vê como a pornografia distorce tudo isto? A pornografia faz uma zombaria dos propósitos do sexo, do desejo sexual e do desejo sexual desigual. Enquanto Deus diz que a finalidade do sexo é a construção da unidade entre um marido e sua esposa, a pornografia diz que é apenas para satisfazer todo o desejo com qualquer parceiro. Enquanto o desejo sexual é bom, fazendo um marido buscar sua esposa (e a mulher o seu marido) pornografia diz que não pode e não deve ser controlada. Todas as mensagens da pornografia vão diretamente contra os propósitos de Deus.
Podemos não entender exatamente o que o sexo faz dentro de um casamento, mas podemos confiar que Deus tem seus motivos para inventá-lo e ordenar que o experimentemos. O sexo é um chamado para o marido buscar a sua esposa e para conduzi-la, como servo, para uma compreensão mais profunda e uma maior apreciação deste dom. É um chamado à mulher par servir o marido, confiando nele e confiando que os dons de Deus, quando usados como ele determinou, sempre fazem bem.
Traduzido por Gustavo Vilela | iPródigo
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Notas:  Esta série foi originalmente publicada por Tim Challies em seis partes, aqui. Você também pode baixar o ebook completo com todos os artigos da série aqui.
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